Estudo do Sebrae revela que 52% das micro e pequenas empresas do Brasil são familiares

No Piauí, cerca de 40% dos pequenos negócios também se enquadram nessa classificação

Ter um membro da família como sócio ou empregado é realidade entre a maioria dos pequenos negócios. Isso é o que revela pesquisa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae. O levantamento, realizado entre os meses de outubro e novembro de 2016, envolveu 6.617 entrevistados, sendo 3.316 Microempreendedores Individuais, MEI; 2.648 proprietários de microempresas e 653 de empresas de pequeno porte.

O objetivo do levantamento foi identificar a proporção de empresas familiares no universo dos pequenos negócios formais no Brasil. Define-se como empresa familiar, o negócio que tem membros da família na administração e cujos processos sofrem interferência direta destes. É aquela empresa em que há parentes – pai, mãe, avô, avó, filho(a), sobrinho(a), neto (a), cunhado(a) – entre os sócios e/ou empregados e colaboradores.

De acordo com pesquisa do Sebrae, 52% das micro e pequenas empresas brasileiras podem ser consideradas familiares, ou seja, possuem sócio ou empregado parente do proprietário. No âmbito das empresas de pequeno porte, de cada dez empreendimentos, seis são familiares. Entre as microempresas, de cada dez negócios formalmente constituídos, cinco são familiares.

“Os negócios familiares são uma realidade no Brasil e no mundo. Muitas das empresas presentes no mercado têm sua origem vinculada a uma família. É comum também que o criador da empresa tenha como sócio um parente, que a priori seria uma pessoa da sua mais alta confiança. Os pais também costumam escolher filhos ou parentes próximos para a sucessão dos negócios, por isso o grande número de empresas familiares existentes no país”, comenta o diretor técnico do Sebrae no Piauí, Delano Rocha.

Segundo Kelin Gersick – co-fundador e sócio da Lansberg, Gersick & Associates, empresa de consultoria e pesquisa especializada em empresas familiares – as organizações familiares são a forma predominante de empresa, ocupando uma parte generosa do contexto econômico mundial. Estima-se que 95% das maiores empresas brasileiras são familiares, estando grande parte delas na segunda geração de dirigentes.

A pesquisa do Sebrae reafirma a predominância de empresas familiares também no universo dos pequenos negócios, quando 59% das empresas de pequeno porte tem sócios ou empregados da mesma família. Nas microempresas esse percentual cai para 51%. Já nos MEI a taxa é de 25%.

O levantamento estratifica também os resultados por setor econômico. Na indústria, 39% das empresas são familiares. No comércio, esse número cai para 38%. Nos serviços o percentual é de 35%. Já nas empresas da construção a taxa é de 30%.

No Piauí, 19,3% dos entrevistados revelaram ter como sócios parentes e outros 23,8% disseram ter algum familiar no quadro de colaboradores do negócio, o que pela média leva a identificar que no Estado cerca de 40% das empresas são familiares.

EMPRESAS FAMILIARES E COMPETITIVIDADE

A gestão de empresas familiares é mais delicada do que parece. Segundo estudo da PwC Brasil, uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo, apenas 12% das empresas familiares chegam à terceira geração e 1% à quinta. Os motivos para o fracasso do modelo familiar vão desde conflitos de interesses até disputas de parentes pela herança do negócio.

De acordo com o presidente do Sebrae Nacional, Guilherme Afif Domingos, a cultura do empreendedorismo entre parentes é muito forte no Brasil, o que requer cuidados redobrados na gestão dos negócios. “Nesses casos, é muito importante profissionalizar a gestão empresarial para evitar erros e atritos em família. É necessário também separar a vida profissional da pessoal, principalmente no que se refere a aspectos financeiros. Quando a relação é pautada no profissionalismo, o trabalho em família pode ser ainda mais lucrativo”, destaca.

O diretor técnico do Sebrae no Piauí, Delano Rocha, ressalta que o modelo de gestão de empresas convencionais e familiares deve ser o mesmo. “O fato de a empresa ser familiar não quer dizer que a gestão não precise ser altamente profissionalizada. O pensamento estratégico deve guiar as decisões e se sobrepor aos desejos individuais”, afirma.

Como exemplo de gestão profissionalizada está a devida remuneração dos colaboradores, mesmo que estes sejam parentes. “Todo funcionário, independente do grau de parentesco com a cúpula do negócio deve ser remunerado de acordo com a função que exerce. A concessão de privilégios não deve ocorrer. O ideal é cobrar resultados com até mais rigor para dar exemplo aos demais. Sem essas precauções, quem perde é o negócio, que fica menos competitivo”, pontua Rocha.

E a competitividade passa pela inovação. Por isso, mesmo em empresas familiares a busca pela inovação deve ser incessante. Inovar é o caminho para se destacar e ter um diferencial para continuar avançando no mercado.

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